sábado, 4 de abril de 2009

Stormy Weather

"Não esconda a tristeza de mim.
Todos se afastam quando o mundo está errado,
quando o que temos é um catálogo de erros,
quando precisamos de carinho, força e cuidado."


Sabia que conseguiria sozinha mas nesse momento duvidava. Queria apenas ser filha, encontrar olhos ternos e um abraço doce sem perguntas, sem respostas, amor apenas. Queria não precisar ser forte, queria poder chorar três dias e três noites e ouvir apenas a voz calma dizendo que tudo irá passar. Não queria mais chorar de dor. Não queria mais vampiros, precisava ser amada em silêncio. Havia tantas feridas que nem ela mesma podia precisar onde ardia, mas o vento gelado dilacerava a alma, a dor se espalhava por cada milímetro do que ela era e já não sabia mais ser nada. Não encontrava seus discos, seus livros diziam-lhe verdades impróprias. Haveria, por Deus, um milímetro de compaixão no universo? Billie Holiday cantava à sua alma antiga mas o que fazer agora? Sentia vontade de dormir até o próximo solstício, acordar em um longo dia de verão, receber da imensidão azul toda a paz que merecia e uma flor em seus cabelos. Queria ser criança e fazê-los felizes de novo. Sentiu, naquele instante, uma saudade cortante de quem não voltaria nunca mais. Sentiu saudades de quem estava ali, ao alcance das mãos e a fazia sentir só. Amou profundamente os corações que a tocavam a distância. Amou desesperadamente aquele céu de outono. Mas a dor ainda estava lá, talvez Coltrane exorcisasse, talvez o amor a curasse.

domingo, 29 de março de 2009

Reflexão inacabada sobre a hipercorreção

amor: atração afetiva ou física que, devido a certa afinidade, um ser manifesta por outro; atração baseada no desejo sexual; afeição e ternura sentida por amantes; aventura amorosa; afeição baseada em admiração, benevolência ou interesses comuns; calorosa amizade; forte afinidade; a pessoa ou a coisa amada ou apreciada (tb. us. no pl.); comunhão íntima, coesão com o universo; devoção de uma pessoa ou um grupo de pessoas por um ideal concreto ou abstrato; interesse, fascínio, entusiasmo, veneração; demonstração de zelo, dedicação; fidelidade; um deus ou a personificação do amor [Cupido (na Grécia, Eros), Vênus (na Grécia, Afrodite)]

paz: relação entre pessoas que não estão em conflito; acordo, concórdia; relação tranqüila entre cidadãos; ausência de problemas, de violência; estado de espírito de uma pessoa que não é perturbada por conflitos ou inquietações; calma, quietude, tranqüilidade;



E se o amor for simples, apenas? Calmo, retro-alimentado, sem tramas ou trapaças? E se o que vemos for só a verdade, tão genuína que leva à dúvida? E se for a paz que sempre buscamos a essência daqueles olhos sem segredo? E se a imagem de meu sorriso trouxer-lhe luz e o som de minha voz nortear seus passos? E se for meu amor seu único caminho, o desejo mais puro? E se formos nós o destino e a escolha recíproca? E se tudo for assim porque nossas almas se reconhecem e então o amor é simples, leve? Céu de outono. Mar. Imensidão.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Metal contra as nuvens
Sei que vai passar mas, enquanto dói, escolho músicas, encanto o tempo, sobrevivo.
Queria saber explicar, antes: saber verbalizar, mas é tão imenso que meu raciocínio sucumbe e meu coração grita.
Contemplando a inexplicável beleza azul, céu de outono, tudo se torna sonho e eu amo e acredito.
Talvez seja a claridade da manhã, a luz quente desses dias, meu alimento, meu propósito, minha paz.

quarta-feira, 25 de março de 2009

00 às 4

Terminava mais um dia. Outro daqueles inertes em que todas as decisões imediatas e necessárias eram arrastadas para o dia seguinte. O problema é que nesse momento todos os dias pareciam iguais. Tinha o medo, tinha sei-lá-o-quê impedindo-a de seguir seu rumo, ir embora para qualquer lugar, mas ir. O ar viciado a intoxicava, a beleza prometida feria. Já não queria mais acreditar, não podia. Mas alguém entendia? Não, evidentemente, não. Ela não era má nem egoísta, também não almejava a benevolência de mártir:era apenas humana e bastava.
O dia acabou, para onde ir agora? Consultava sua vontade. Não havia vontade. Dentro daquela história, nada mais a pertencia. Sentia profundo desejo de começar de novo. Nada ali seria diferente. Não importava mais. Queria leveza. Queria mais que tudo sua vida. Um novo começo de sonhos só dela. Mas como não se sentir só quando o silêncio cortante da madrugada era a única companhia para suas noites em claro? Precisava do céu profundamente azul, imensidão. Manhãs azuis de outono, em paz, sem dor, sem medo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

I'm glad

É por vocês, por cada um de vocês que sigo acreditando em mim. Tudo faz sentido porque os tenho e amo e consigo, assim, vislumbrar a lógica no caos. Encontrar e reuni-los todos, tão perfeitos, em uma só vida torna possível a utopia, possibilidades infinitas. Dessa forma sou feliz, imponderável: estou feliz no limite do abismo; e o que desejo além disso é muito pouco... talvez todos juntos, em mais um domingo de céu claro após nuvens, inteiros, intensos, com seus sorrisos e suas farpas, com seus olhos que me fazem acreditar. Desejo todos, todos vocês que amo desse modo tão indizível, todos os que estão aqui, por todos os caminhos, a qualquer instante. Sim, são vocês... não haveria de ser mais ninguém. A grandiosidade é absoluta.

domingo, 22 de março de 2009

Se é o preço a ser pago por minha vida, aceito, pago em dobro. Minha vida vale tanto... não há preço, há prece.