quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Target

Algo dentro de mim protesta contra os fatos, algo dentro de mim reclama o direito de brilhar, algo dentro de mim sangra e não entende, algo dentro de mim simplesmente não sabe mais e deseja tanto. Talvez meu coração... minha vida.

(Noite longa de buscas e entendimento, respostas à luz da manhã...)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Passos

"E aquele garoto que ia mudar o mundo, hoje assiste
a tudo em cima do muro."



E é assim que a banda toca. Subitamente, notamos não ter controle de coisa alguma. Pessoas surgem com estranhas idéias cabais, o amor segue com todos seus caprichos nos fazendo perder o eixo e o rebolado. De pronto, precisamos nos retocar e seguir em frente como se nada houvesse que incomodasse. E é assim o vai da valsa. A vida nos leva sem que possamos obedecer nossos planos. Possivelmente, fazendo-se um balanço dos últimos 10 anos, descubramos que estamos anos luz distantes do que pensávamos nos tornar. Sobrevivemos, é fato, construímo-nos, consquistamos, mas e a ópera rock que estrelaríamos? transmutou-se, quem sabe, em um comédia de costumes. E a revolução, e o mundo justo, as caras pintadas, a militância sobre carros de som? E a educação que salvaria o mundo? A popularização da cultura, das artes? O discurso em tom vermelho? (se até seu Fidel desistiu...). O orgulho dos recortes de jornal, a poesia beatnik, e o Kerouac? A poesia dá lugar a prosa, os copos passam a encher-se de líquidos mais caros, vindos de mais longe, a distância, porém, também aumenta. Passamos a nos encontar em novos personagens, menos ousados, menos impetuosos. Cultivamos o equilíbrio que nos irritava outrora. É necessário. Por vezes negamos ideais para que possamos caber no mundo e passamos a compreender Pedro. Tornamo-nos crescidos e corruptíveis, inevitavelmente adulterados. A paixão intimida-se, devemos agradar o capital. De repente percebemos que há muito mais de nossos pais em nós do que, por muito tempo, haverá de nós em nossos filhos. Quem somos? Tratamos de lotar nossas agendas e nossas mentes para que não precisemos pensar nisso nunca mas nos momentos de descuido, quando nos encontramos conosco , fica claro que nem de longe fora esse o plano; à decepção damos outros nomes, pintamos com tintas coloridas e seguimos orgulhosos de nosso único talento plenamente desenvolvido: esquecer os sonhos e compor a matilha. Mudar, requer coragem, audácia ou amor. Alguns tentam, poucos conseguem. Eu amo e insisto. Fecho os olhos em busca da luz. The show must go on.

Gritos

Dias longos, noites eternas e o sonho pulsa profundo em meu peito. Não sei esquecer, não sei partir, em cada instante que o amor parece esfacelar-se e penso em parar de sentir vem você e seus olhos raros pedindo para entender que está aqui e não quer partir. Não é simples entender o amor propositalmente ausente, acredito pois acredito em tudo o que há em nós, mas não entendo. Não entendo sua doce habilidade de se esconder e sublimar o sofrimento, não entendo a certeza profunda e inabalável de que estarei aqui todo o tempo. Talvez não entenda porque é você e seu amor fenotipicamente efêmero.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Neo-clássico pós- moderno

Em um momento, nada propício, lembrei-me de Nietszche e seu “amor fati”. Gastamos a vida tentando consertá-la, procurando outra para amarmos, e ela passa. Meteórica e fria, a vida não se importa com nossas buscas. Corre blasé, regada a dry martini, pisoteando com seu salto agulha qualquer espectro dubitavelmente poroso que haja em nós.
Na densa luta por nossos ideais, corremos atrás da glória da discordância. Luta em glória. Lógica platônica. Não somos o que queremos ser, tendemos a ser apenas o contrário do que esperam que sejamos.Ainda que a resistência não se dê de modo efetivo, alimentamo-na dentro de nós, operando em um universo de anarquismo niilista.
Até a lógica existencial se perfaz da distorção subjetiva: engendramos uma existência lacônica sobre prolixas faláceas psicologizadas do ser.
O amor, pobre, amor, perde-se em meio ao redemoinho de lógicas de banca de revistas, que propõe razões para sentir e desfaz sua mais profunda dimensão, que é ser. Um dia ouvi um discurso sobre a grandeza do amor estar em amar-se apesar dos acontecimentos; não, a grandeza do amor está em amar, sem pesares a pesar. O amor extingue pesares, amando tudo são belas verdades reais e não fantasiosos ressentimentos construídos. Se é posta a possibilidade do pensamento sem vírgulas, proponho, aqui, amar sem vírgulas. Não pensar em planos, amar somente. Despudoradamente. O que o outro vai pensar? Se o amor tiver dois pólos, não pensará nada além da beleza de um sentimento inteiro e recíproco. Entretanto, se a dose de reciprocidade for menor, cabe a nós compreender e ponderar a grandeza de nosso próprio sentimento. Pois, se pensarmos em uma cor para o amor, ele deve ser verde, organismo clorofilado, só nos cabe iluminá-lo e ele cuida do resto. O amor é organismo produtor por excelência, é ele, em suas mais variadas formas, que mantém o ritmo do universo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Fragmento inacabado IV

Porque tudo o que há em nós perpassa o universo de desejos que nos move. Entre o amor, a felicidade plena, os objetivos práticos e os sonhos impossíveis, está nossa divina alma humana. Um dias desses, uma amiga me disse que eu não estou sozinha quando escrevo. Nunca acreditei nisso, mas os últimos acontecimentos fazem-me entender que é uma explicação cabível. Deve ter muita gente brilhante comigo, disse ela, gente com um delicioso senso de humor, articulada e inteligente, gente que não gosta de dor e só está comigo quando brilho como eles pois não vêem razão para o sofrimento posto que há infinitas possibilidades mais interessantes no universo. Eles sublimam a dor, assim como eu. Diferentemente deles, entretanto, eu sou humana e, às vezes, a dor surge nada sublime, congela nossos ossos, nossos desejos, nossos valores. Por vezes, surge com tanta força que nos resignamos e aceitamos sofrer tudo o que for necessário desde que, após sangrar, acabe, mas, caprichosamente, há dores itinerantes, que nos alimentam e ferem, essas, em geral, vem com o amor, são duas faces da mesma indescritível moeda. Amor prediz sofrimento, mas como seria viver sem ele? Livrar-se da dor e , ao mesmo tempo, dos sonhos? Crer apenas em uma cinza realidade imutável que subjaz qualquer esperança de magnitude? Penso que eu não queira isso, não sou assim, sou intensa, preciso ser para dormir em paz. Tampouco acredito que eles queiram isso de mim. Só preciso equilibrar meu espírito para melhor entendê-los, respirar fundo e respeitar a dimensão colossal desse amor sem o qual falta-me o chão, falta-me o ar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fragmento inacabado III

Penso qual seria a diferença entre inspiração e vontade. O exercício da escrita não depende, necessariamente, de inspiração, mas sinto que falta-me vontade. Aliás, esse pequeno fator que move a humanidade tem me faltado em inúmeros aspectos da minha vida. Não quero escrever porque não tenho nada de bom para dizer e narrar o sofrimento já é temática ultrapassada e esgotada.

domingo, 14 de setembro de 2008

It feels like bossa nova by Jobim

Penso em Montevidéu, incrível a aproximação de sentimentos entre mim e o poeta. Por vezes penso que Vinícius escreveu minha vida de forma premonitória e Tom musicou. Aliás, penso que minha vida seja constantemene acompanhada por uma sutil bossa nova: minha alma é antiga.
Lembro-me de outras autorias, de minha primeira bossa nova. Encontro o que sempre quis, para toda minha vida, um elogio inigualável, inacreditável como meus dedos nunca esqueceram esses acordes. É bela a releitura. Profunda a sensibilidade. Certamente o retrato de algum amor indescritível, incompreensível, talvez indizível, poeta.

"The solution to my dilemma
you're my girl from Ipanema
inspiration for my samba in slow motion
you're the top, you're my devotion
my slow motion Bossa Nova dream"